O termo “cefaleia” é utilizado para designar desconforto ou dor de cabeça. A enxaqueca é uma dos tipos de cefaleias mais frequentes e bem caraterizadas. Uma enxaqueca trata-se de uma dor de cabeça moderada ou grave, sentida como uma dor latejante num dos lados da cabeça.

Esta geralmente começa na puberdade e, em média, afeta pessoas entre os 35 e 45 anos, no entanto esta também se pode manifestar em pessoas mais jovens, incluindo crianças. Em média estima-se que 12 a 15% doa população sofra de enxaqueca, sendo mais prevalente em mulheres, devido a influências hormonais.

A enxaqueca trata-se de um distúrbio neurovascular crónico que pode ser desencadeado por diferentes fatores, tais como, psicológicos, hormonais, comportamentais, ambientais e nutricionais. Esta é caracterizada por ataques recorrentes ao longo da vida, sendo que os sintomas normalmente incluem:

– Dor de cabeça pulsátil, de intensidade moderada ou grave, geralmente de um dos lados da cabeça, com uma duração de 3 e 72 horas

– Náusea

– Vómito

– Sensibilidade à luz

A enxaqueca é uma patologia neurológica incapacitante com uma etiologia multifatorial que pode afetar negativamente a família e atividades de trabalho. No Global Burden of Disease Study, atualizado em 2013, a enxaqueca foi considerada a sexta maior causa mundial de anos perdidos. Um correto diagnóstico das causas da enxaqueca leva a um correto tratamento que podendo melhorar a qualidade de vida dos indivíduos afetados. 

A dor de cabeça é um dos sintomas mais reconhecidos e incapacitantes da intolerância à histamina, tendo já sido reportados o aumento dos níveis plasmáticos de histamina durante os episódios de enxaqueca. Os mecanismos fisiopatológicos da enxaqueca são complexos, no entanto têm vindo a ser descritas várias vias que associam a histamina e a dor de cabeça. Segundo Maintz e Novak, a associação entre a dor de cabeça e a deficiência em DAO poderá ser explicada por uma deficiência enzimática que provoca um aumento da histamina plasmática, sendo responsável pela dor de cabeça através da libertação de óxido nítrico quando estimulação dos recetores H1R encontrados em artérias intracranianas. Para além disso, a inflamação neurogénica envolve a liberação de histamina, que, por sua vez, promove a liberação de substâncias intimamente ligadas ao processo de dor em indivíduos com enxaqueca. 

A enzima Diamina oxidase (DAO) determina o processo de metabolização da histamina, tendo um papel importante na degradação da histamina no intestino e a sua passagem para a circulação sistémica. Uma redução na atividade da enzima DAO pode ser uma das causas de intolerância à histamina, um distúrbio na homeostase da histamina, o que provoca a acumulação desta amina no plasma e o surgimento de sintomas.

A deficiência de DAO pode estar relacionada com fatores genéticos, como uma mutação genética ou estar relacionada com algumas doenças que interferem com a secreção desta enzima, como por exemplo as doenças inflamatórias intestinais. Existem, também, certos medicamentos que causam um bloqueio enzimático reversível da DAO. Assim, quando o indivíduo apresenta um défice ou inibição desta enzima, existe um desequilíbrio entre a histamina que é ingerida e a capacidade de metabolização da mesma. Consequentemente ocorre uma acumulação de histamina no organismo, levando a efeitos adversos como a enxaqueca. 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, apenas cerca de 40% dos indivíduos que sofrem de enxaqueca são corretamente diagnosticados, garantindo o tratamento clínico eficiente, nomeadamente baseado na restrição de alimentos ricos em histamina e a possível administração de suplementos contendo a enzima DAO. 

Os alimentos que estão indicados na tabela seguinte são ricos em histamina e/ou interferem no metabolismo da mesma (promovem um aumento da libertação de histamina).

 

Categoria de alimentos Alimentos a eliminar Alimentos a privilegiar
Frutas Banana, morangos, uvas, kiwi, frutas cítricas (laranja), ananás/abacaxi

Frutos secos (passas, figos, damascos, ameixas, tâmaras), mamão, abacate

Todas as restantes frutas  
Legumes Tomates, legumes fermentados (chucrute), cogumelos, 

beringela, espinafre, tomate, grão de bico, feijão de soja

Todas os restantes legumes  
Carnes/Peixes Carne, peixe de conserva

carne processada (salsichas, fiambre, bacon, linguiça, salame, chouriço), sobretudo porco

peixe fumado

Crustáceos

Carne e peixe frescos (evite carne e peixe aquecidos)
Lacticínios Kefir

queijos (cheddar, blue, gongonzola, stiton, cabra, emmental, roquefort, fresco)

Leite

Bebidas vegetais (ex: coco)
Frutos gordos/

oleaginosas

Nozes, castanha de caju, amendoim Amêndoa, avelã, macadâmias, castanha do Brasil, pinhão, pistácio.
Bebidas Álcool (vinho, cerveja, champanhe) chá verde/preto

bebidas energéticas 

Água, infusões, sumos de fruta (excluindo as frutas ricas em histamina)
Alimentos fermentados Vinagre, molho de soja, molho teryaki, kombucha
Outros Chocolate e produtos com cacau

Clara de ovo

Cereais Germe do trigo Massas de arroz/milho, aveia, espelta,…
Ana Cláudia Ferreirinha
Nutricionista Clínicas Viver

 

Referências:

Izquierdo-Casas J, Comas-Basté O, Latorre-Moratalla ML, et al. Diamine oxidase (DAO) supplement reduces headache in episodic migraine patients with DAO deficiency: A randomized double-blind trial. Clin Nutr. 2019;38(1):152–158.

Izquierdo-Casas J, Comas-Basté O, Latorre-Moratalla ML, et al. Low serum diamine oxidase (DAO) activity levels in patients with migraine. J Physiol Biochem. 2018;74(1):93–99.

Wolvekamp MC, de Bruin RW. Diamine oxidase: an overview of historical, biochemical and functional aspects. Dig Dis. 1994;12(1):2–14.

Alstadhaug, K. B. (2014). Histamine in Migraine and Brain. Headache: The Journal of Head and Face Pain, 54(2), 246–259.

World Heath Organization. 2020. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/headache-disorders Acesso em: 04/02/2020 

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